Um dia em Oxford – parte 1

Em um sábado de início de primavera que prometia temperaturas de verão, saímos cedo de casa e fomos para a estação Paddington pegar o trem para Oxford.

Oxford faz parte do Vale do Tâmisa e fica a cerca de 80 quilômetros de Londres. A viagem de trem leva mais ou menos uma hora e de ônibus dá para chegar lá em pouco menos de duas horas.

Radcliffe Camera, em Oxford

Pesquisamos os horários dos trens pelo site National Rail e planejamos pegar o das 9h21, mas deixamos para comprar as passagens na hora. O site te mostra que cada horário tem um preço diferente, variando de 9 a 22 libras, mas na bilheteria a conversa foi outra: pagamos 45 libras em duas passagens de ida e volta que valiam para o dia todo, sem horário específico.

Resultado? Overbooking na ida. Subimos rápido no trem e conseguimos sentar, mas muita gente – inclusive um grupo barulhento de brasileiros – teve que ir em pé o caminho todo.

O principal atrativo de Oxford é a universidade. Ela se divide em mais de 30 faculdades espalhadas por todo o centro. O miolo da cidade é pequeno, todo concentrado entre 5 ou 6 ruas principais que na metade do dia você já vai conhecer bem. Um guia com um mapa do centro é suficiente para se virar.

Chegando lá, a primeira parada foi a Christ Church College, a maior e mais famosa faculdade da universidade. Famosa porque inspirou Lewis Carroll a escrever “Alice no País das Maravilhas” e mais famosa ainda porque serviu de cenário para a saga “Harry Potter”. Por exemplo, o seu salão de jantar – The Great Hall — foi a inspiração para o refeitório de Hogwarts. O salão, no entanto, não foi filmado: o que se vê nos filmes é uma reprodução em estúdio do verdadeiro salão.

Christ Church College, em Oxford

Pátio da Christ Church College, em Oxford, fotografado do corredor lateral já que não é permitido aos visitantes entrar pelo gramado

Mas os fãs de Potter não devem se animar muito: o Great Hall está quase sempre fechado. Ele é muito usado pela faculdade e, nessas ocasiões, é vetada a entrada de visitantes. Eles tentam manter no site oficial uma agenda alertando quando salão estará aberto para visitação, mas não há garantia. Pagamos juntos 10 libras para entrar na faculdade e só pudemos entrar na igreja, que honestamente não tem nada de especial.

Até o pátio da faculdade, com seu gramado perfeito e sua fonte, só pode ser visitado pelo corredor lateral. Seu interior é de uso exclusivo dos estudantes.

O gostinho amargo de enganação que sentimos enquanto passávamos pelo corredor lateral do pátio foi só o primeiro do dia. Nas próximas horas, enfrentamos outras portas fechadas com a sensação de que pagamos para conhecer uma faculdade e só pudemos ver a arquitetura externa das construções e alguns metros quadrados de grama.

Foi assim também na Balliol College. O panfleto entregue na porta quando pagamos 3 libras para entrar discorre sobre a beleza da capela e a antiguidade da biblioteca. Lá dentro, descobrimos que a primeira estava fechada e a segunda era restrita aos alunos. Pelo menos dessa vez o pátio era aberto, pudemos sentar num banco e tomar um pouco de sol enquanto descansávamos as pernas.

Exceção foi a Lincoln College, fundada em 1427 e que, segundo o guia, é a construção mais bem conservada. De fachada discreta e localizada em uma rua secundária, a faculdade estava completamente vazia.

Pátio interno da Lincoln College, em Oxford

Pátio interno da Lincoln College, em Oxford

Para entrar, passamos por um funcionário que disse que podíamos ficar à vontade para visitar o local. Passeamos por três pátios pequenos mas lindamente conservados. Entramos pelas portas, bisbilhotamos tudo o que estava aberto.

O pátio mais ao fundo, florido e silencioso, parecia um mundo muito distante do burburinho de turistas e consumidores das ruas ao redor. Um dos poucos espaços onde foi possível sentir de verdade que estávamos em uma cidade notável, com séculos de história, e não em um parque de diversões.

Outra grande atração da cidade é a Bodleian Library, fundada em 1320. Estava fechada para um evento. Sua sala de leitura é a Radcliffe Camera, uma construção que data da fundação da biblioteca. O prédio redondo, um dos símbolos de Oxford, também é de acesso restrito a estudantes da universidade.

No fim da tarde, cansamos de tanta porta na cara. Pegamos a lista de pubs históricos da cidade e fomos beber. Mas isso fica para um outro post.

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One thought on “Um dia em Oxford – parte 1

  1. “Um dos poucos espaços onde foi possível sentir de verdade que estávamos em uma cidade notável, com séculos de história, e não em um parque de diversões.” De fato, o turismo desorganizado tem transformado tudo em parque de diversões. Acredita que até na casa de Anne Frank, o burburinho dos turistas leva a pensar que estamos em uma casa divertida de Amsterdam e não em um memorial às vítimas de um dos momentos mais doloridos da história.

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