Churchill Museum e Cabinet War Rooms

Winston Churchill ganhou um museu em Londres em 2005, em Westminster, bem perto de onde foi seu gabinete como primeiro-ministro, e que funciona no anexo dos Cabinet War Rooms, um pequeno complexo de salas que poderia ser resumido como o bunker onde a intelligentsia britânica coordenava suas ações na Segunda Guerra Mundial. Visita obrigatória para quem gosta de história e política, o local foi fechado após o final do conflito, em 1945, e reaberto pelo governo britânico apenas no final dos anos 70. Para ver tudo isso custa um pouco caro: 16 libras (13,20 para estudantes), mas vale a pena. Acredite.

Pra começar, o guia de áudio, cobrado em muitos lugares, já faz parte do pacote, o que dá a sensação que o preço nem é tão salgado. Mas não tem opção em língua portuguesa, então é bom que você consiga se virar pelo menos em espanhol.  Eles juram manter o bunker como era, mas claramente alguns objetos, como roupas de cama, não têm quase 70 anos. De qualquer forma nota-se que os móveis são da época e a história contida dentro do lugar vale a visita.

Um dos pontos altos são os vídeos com relatos de diversos ex-funcionários do governo britânico contando como era o dia-a-dia no local. Para quem se acha workaholic porque não larga o Blackberry ou o iPhone no século XXI é uma boa forma de rever conceitos. Trabalhar 16, 18 horas por dia era normal, revezando turnos, comendo muito mal, dormindo em lugares apertados e, claro, sem respirar direito ou ver a luz do dia. Uma ex-funcionária relata que precisou pedir dispensa depois de alguns anos, pois estava ficando doente. Ela acredita que era a única não-fumante de todo o lugar.

Uma grande guerra exige muito de todos os envolvidos e ter Winston Churchill como chefe também não ajudava quando o assunto era descanso. Dizia que todos (incluía-se) deveriam trabalhar até caírem, exaustos. Algumas vezes ele mesmo não ia embora: tinha quarto e sala exclusivos no bunker, mas passava seu dia-a-dia em um escritório que funcionava ali do lado e só ia para o “esconderijo” quando havia iminente ameaça nazista.

Alguns cômodos têm tempero especial: a sala secreta em que Churchill telefonava para Franklin Roosevelt é uma delas. Nem os funcionários da época sabiam que havia um telefone lá dentro. Acreditavam ser um banheiro. Hoje um boneco de cera está no lugar do chanceler e é possível escutar o teor de um telefonema para o ex-presidente americano durante a guerra.

A cabine telefônica secreta de Churchill

A cabine telefônica secreta de Churchill

Só as Cabinet War Rooms já valeriam a visita e o preço, mas o museu sobre o controverso político merece ser visto com calma. E isso pode levar horas, mesmo sendo um pequeno anexo. A quantidade de informações é absurda, principalmente na linha do tempo que funciona por meio de touch screen no centro do salão e conta os mais variados fatos profissionais e pessoais do ex-chanceler. Outro ponto que merece uma parada: uma tela (também sensível ao toque) relata suas frases célebres, a maioria delas alfinetadas em seus pares. Não à toa, colecionou inimigos por onde passou. Uma deputada certa vez disse no Parlamento inglês que, se fosse mulher de Churchill (então deputado), colocaria veneno no seu café da manhã. Obviamente a resposta foi imediata: “se eu fosse seu marido, eu tomaria o veneno.”

Textos, objetos pessoais e depoimentos de ex-funcionários explicam de maneira bem didática quem foi Churchill e porque escreveu seu lugar na história. Claro que o tom é elogioso, mas não chega a incomodar. Talvez porque seja impossível tentar pintar Churchill como santo mesmo décadas após sua morte. De qualquer forma, há uma entrevista em vídeo em que uma ex-secretária diz que, apesar da fama de beberrão, ele nem bebia tanto assim. Mas quem se importa com isso agora?

Churchill War Rooms
Clive Steps
King Charles Street
Metrô: Westminster
Preço: 16 libras (13,20 estudantes)

Mais informações:  http://www.iwm.org.uk/visits/churchill-war-rooms

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