Comida rápida e barata em Londres

A imprensa inglesa vem debatendo constantemente o problema da obesidade, que já é encarada no país como uma questão séria. Jamie Oliver faz de sua luta contra ela a sua bandeira, redes como McDonalds são tratadas como grandes inimigos da saúde, mas ninguém parece prestar muita atenção ao fato de que os londrinos almoçam sanduíches durante toda a semana.

Não trabalhamos em Londres durante nossa viagem, então não sei explicar as razões desse costume. É porque a comida é muito cara? É falta de tempo? A comida é ruim mesmo, então pra que se dar ao trabalho? Mas percebe-se na cidade que, em horário de almoço, os restaurantes que estão cheios são os que atraem os turistas. Enquanto isso, os ingleses que estão em pleno expediente vão se acotovelar nas geladeiras dos mercados e das redes de comida pronta.

A rede Pret a Manger é a mais popular. Oferece várias opções de sanduíches em pão de forma ou baguete, sopas, algumas saladas e frutas frescas a preços exorbitantes.

A comida fica à disposição do cliente, em geladeiras abertas. Os londrinos passam por elas correndo, pegam o almoço quase sem olhar (segundo pesquisa, um terço deles pega todo dia o mesmo lanche), pagam no caixa e somem na multidão. Para comer no local, geralmente pequeno e com poucas mesas, o lanche custa mais caro. A etiqueta na geladeira mostra os dois preços, não se deixe enganar.

Os lanches do Pret custam em torno de três libras e trazem, nas etiquetas, a quantidade de calorias. Eles parecem gostosos no começo e, pela praticidade e pelo preço honesto, você pode transformar em rotina o ato de comer ali. A promessa da rede é  oferecer somente produtos frescos e você se engana com aquele pouco de salada fingindo que está sendo saudável. Com o tempo, no entanto, você vai percebendo que tudo ali tem muita gordura, muita maionese, e a grande maioria deles têm, no fundo, o mesmo gosto.

Não vou mentir, mesmo depois de perceber tudo isso continuei comendo muito por lá. A baguete de queijo brie e tomate se tornou a favorita, por ser uma das poucas que não se afogava em maionese nem mostarda. As sopas, que deveriam ter durado apenas o inverno, continuaram a ser oferecidas pelo verão afora por causa das baixas temperaturas, e algumas delas eram bem saborosas.

Quase sempre perto de um Pret há um Eat. Trata-se de outra rede muito, muito parecida, mas um pouquinho mais cara. As opções de sanduíches são basicamente as mesmas com muita maionese, presunto, queijo cheddar, alface, atum, salmão, queijo brie com tomate. Mas aqui as coisas são um pouco mais caras, provavelmente só para pagar a decoração e iluminação mais caprichadas. A diferença no preço nunca me convenceu, então fui pouco.

Há sanduíches ainda mais baratos nos mercados. Tesco, Sainsbury’s e Marks & Spencer sempre têm, logo na entrada, as suas geladeiras de lanches “take away”.

Os cafés Nero, Starbucks e Costa também aproveitam o filão dos sanduíches do almoço. Vendem lanches em pão de forma, mas suas melhores opções são os paninis no ciabatta. No Nero, nossos favoritos eram o de mussarela, tomate e manjericão e o de almôndegas. No Costa, o de frango com pesto era o melhorzinho, mas em todos eles sobrava pão seco e faltava recheio. Mas a pior opção para almoço é, sem dúvida, os lanches do Starbucks. Não perca seu tempo ou seu dinheiro.

Esses três últimos, contudo, têm a desculpa de serem cafés. Em sua especialidade, o Nero foi, desde o início, o que mais nos agradou. Seus doces são deliciosos, especialmente os muffins (o de framboesa com chocolate branco e o de blueberry me arrancam suspiros saudosos de vez em quando). O cheesecake de chocolate amargo e chocolate branco também é uma lembrança boa e o shortbread de caramelo me salvou de uma larica imensa numa tarde fria.

Não sei explicar, mas lá o café feito no Starbucks é melhor do que o servido aqui no Brasil. E das guloseimas oferecidas na vitrine, o bolo de cenoura de lá foi o melhor que comi em toda a viagem.

Já o Costa, que diz ter o melhor café do país, decepciona em tudo, bebidas e comidinhas.

Infelizmente não tiramos foto de nenhum desses lugares, mas uma pesquisa rápida no Google mostra como eles são.

Banheiros de Londres

O turista comum enfrenta o mesmo problema em qualquer lugar do mundo aonde vá: onde encontrar um banheiro no meio do dia. Ele sai do hotel/apartamento pela manhã com uma longa lista de lugares para visitar e coisas para fazer. Passa o dia na rua, andando para lá e para cá, e acaba dependendo de banheiros desconhecidos durante toda a viagem.

Como São Paulo, Londres quase não possui banheiros públicos, obrigando os turistas a recorrer aos toaletes das atrações turísticas, restaurantes e cafés. Depois de alguns meses na cidade, aprende-se aonde ir e não ir.

Os ingleses se destacam em muitos campos sociais e culturais, mas limpeza e higiene não então entre seus pontos fortes. Portanto, não espere encontrar banheiros limpos pelo centro da cidade, mas prometo que nem tudo vai se parecer com o “pior banheiro da Escócia”.

O mais comum na hora do aperto depois daquele suco de laranja do café da manhã é se esgueirar McDonald’s adentro e usar as facilidades sem gastar um centavo. Mas muitas outras pessoas estarão fazendo a mesma coisa que você, portanto saiba que vai enfrentar uma fila. O mesmo acontece no Burguer King, KFC, Pret a Manger e todas essas lanchonetes fast food onde não há controle na entrada e saída de clientes. É uma solução rápida, mas, com todas essas visitas grátis, nenhum banheiro desses estará minimamente limpo.

Em Londres, há numerosos cafés Nero, Costa e Starbucks. Menores e com menos movimento, nem todos oferecem banheiros aos seus clientes e é sempre mais difícil entrar sem ser notado. Como consequência do movimento mais controlado, os banheiros são um pouco menos sórdidos. Talvez seja preciso gastar duas libras em um café ou em um muffin para justificar a ida àquele cantinho da casa. Os muffins de blueberry do Nero são absolutamente deliciosos, então pode até valer a pena.

Se você estiver próximo a um dos grandes museus com entrada gratuita, corra até eles. Eles são sempre bem aceitáveis. Para garantir uma experiência ainda melhor, procure dentro dele uma exposição pouco interessante e ali você encontrará um banheiro vazio e limpíssimo (para os padrões britânicos). No banheiro localizado logo à entrada da National Gallery, na Trafalgar Square, por exemplo, peguei fila. Já no canto grego do British Museum, mesmo perto de um café, só dava eu (quase tão bom quanto o banheiro impecável de um canto esquecido do Louvre onde senti como se fosse a primeira pessoa a pisar o dia todo).

Se o dia é dia de compras, é bom saber que as grandes lojas de roupa –H&M,Topshop, Zara, Primark- não têm banheiros. Já as lojas de departamentos têm. No caso da Selfridges, na Oxford Street, eles ficam beeeem escondidos, mas procurando dá para achar.

Mas foi a Marks & Spencer, rede britânica gigante, que me salvou muitas vezes nesses meses que passei andando pela cidade e mesmo nos outros cantos da Grã-Bretanha que visitei. A rede é conhecida tanto por vender roupas de senhoras de respeito quanto pelas boas comidas prontas e é aí, na seção de alimentos, que ficam os banheiros. Eles só não existem nas lojas muito pequenas, que são realmente poucas. No geral, procure pelo Food Hall e eles estarão lá.

Comida de rua

Estou devendo há muito tempo um post sobre as deliciosas feiras de comida de rua de Londres, mas estava esperando o Uol publicar minha matéria sobre o assunto.

Aproveitando finzinho dos Olimpíadas, a matéria foi publicada na última sexta-feira. Pretendo escrever depois um post falando mais sobre elas, mas por enquanto segue um trechinho e o link para a matéria completa:

Barraca italiana no Real Fodd Market, em Londres

Barraca italiana no Real Fodd Market, em Londres

De brownies a embutidos, mercados de rua de Londres têm explosão de cores e sabores

Visitar uma feira de comida em Londres é uma das experiências mais divertidas, saborosas e baratas que se pode ter na capital inglesa. Nelas, o aspecto multicultural da cidade é ampliado e celebrado no encontro da culinária de países diversos.

Leia mais no Uol

Dicas para quem vai estudar inglês em Londres

Fazer um bom curso de inglês em Londres não é tão fácil quanto pode parecer. É necessário muito cuidado na hora de escolher as escolas, pois nem as que são chanceladas pelo governo britânico são garantia de qualidade. O centro abriga a maioria delas, mas, se pesquisar com calma, pode encontrar outras opções em bairros mais afastados.

Além de procurar as escolas que tenham alguma referência, é preciso estar disposto a tentar as aulas gratuitas que todas oferecem (geralmente é apenas uma “trial-lesson”). Por que todos estes avisos e ressalvas? Porque tivemos algumas experiências desagradáveis, como professor que sabe menos do que o aluno, professor racista que é odiado por estudantes e, claro, o problema mais comum: os testes de nível são mais toscos do que nas escolas de idiomas em São Paulo, por exemplo. Variam de uma “provinha” com múltiplas alternativas a simples conversas para testar seu nível. O fato é: você pode ser colocado numa classe avançada ao lado de um japonês que não consegue construir uma simples frase com o verbo “to be”. Porque, no fundo, o que importa é o dinheiro (sim, é óbvio).

E haja paciência. Porque quem já fez qualquer curso deste tipo sabe que há uma avalanche de momentos constrangedores nas conversas propostas para treinar o idioma. E, quanto mais velho você está, mais constrangido fica. Mas, se decidiu entrar nessa, engula o constrangimento e siga em frente. Ser obrigado a conversar diariamente com estranhos ainda é a melhor forma de treinar e aprimorar seu inglês.

Portanto, se pretende estudar inglês em Londres, teste grátis umas quatro escolas, veja qual o livro usado (muitas vezes a escolha é do professor) e o nível da turma. A maioria dos estudantes são jovens recém-formados da União Europeia que vão a Londres na base do “papai me sustenta” e estão mais a fim de diversão do que de aprender inglês.

Apesar de todos estes “contras”, há dois prós básicos e óbvios: professores britânicos falam como os britânicos (claro) e não em ritmo de “Mobral” como professores de inglês no Brasil (mesmo estrangeiros). Além disso, você é obrigado a se fazer entender o tempo todo por gente que não fala uma palavra em português e isso te força a melhorar o vocabulário. Aliás, evite ficar rodeado de brasileiros. No centro de Londres, pelo menos, a maioria absoluta é de italianos (parece que a crise fez todo mundo querer aprender inglês), seguidos por espanhóis. Recomendo fazer uma imersão desta o quanto antes. Além de ser mais fácil aprender quando o seu cérebro ainda é jovem, a paciência para este tipo de curso é inversamente proporcional à idade.

Professores

Eu fui a Londres com a ideia errada de que melhoraria meu inglês com professores de formação indiscutível, extremamente preparados. Bobagem. Há todos os tipos de professores, inclusive gente bem ignorante (sobre a vida e o mundo). A maioria é gente que fez outra faculdade, não se deu bem ou não quis seguir a carreira escolhida, e acabou indo dar aula de inglês. Até aí, tudo bem. O problema é que, em geral, eles são desinteressados, apenas cumprem os protocolos. Eu sou do tipo que ainda acha que ensinar é um dom. Portanto, escolha bem, mas não se iluda: estar na cidade e ser obrigado a falar inglês o tempo todo é tão importante quanto as aulas. Vá além da escola, busque aprender por conta própria e estude em casa. E cuidado com a quantidade de imigrantes que estupram a língua: tem gente que passa a vida inteira em Londres e não fala inglês, grunhe erros. Seguindo este raciocínio, trabalhar pode ajudar ou atrapalhar. Depende de quem estará ao seu lado no dia-a-dia da labuta. E, se você não sabe, 50% da população londrina não nasceu lá. É o velho clichê da “torre de babel”.

Callan Method

Algumas escolas ensinam o “Callan Method”, um método baseado em audição e repetição, seguindo o conceito com que bebês aprendem a falar. A teoria é boa, mas ninguém tem um ou dois anos na sala de aula. Portanto, na prática, ajuda a melhorar o ouvido e a pronúncia, principalmente. Mas não há conversação e a pouca gramática, escassa, é bem desatualizada.

O livro é arcaico porque foi escrito por um veterano da Segunda Guerra Mundial (o tal Callan) que desenvolveu este método para se comunicar com soldados de outros países. Por conta disso há muitas expressões antigas no livro, além de uma morbidez desnecessária. Você vai aprender vocabulário inútil, pode ter certeza. Se você já tem bom ouvido, nem vale a pena. Se não, faça um pouco, mas não faça só este método: tente também o tradicional. Há escolas, como a ABC School of English, que combinam os dois métodos. (O mais comum, neste caso, é fazer três horas matutinas de curso tradicional e duas horas vespertinas de Callan).

Horários

Geralmente as escolas têm aulas em três períodos: matutino (começam entre 8h e 9h e vão até 12h), vespertino (12h30 a 15h30) e vespertino/noturno (15h30 a 18h30). O matutino é o mais caro, até porque quem quer trabalhar geralmente procura estudar de manhã. O mais barato é o que começa às 15h30. A básica lei de mercado oferta x procura.

Visto de estudante

Se não tem passaporte europeu, recomendo que tire um visto de estudante antes de ir. Isso deve ser feito com mais de três meses de antecedência. Além de evitar o interrogatório na imigração, você pode conseguir a permissão para trabalhar meio-período, fundamental para sobreviver Londres, que tem altíssimo custo de vida. Exige-se um nível mínimo de inglês para o tal visto, mas fique tranquilo: vi cada analfabeto com este visto que, se eles conseguiram, você, meu caro leitor, também vai conseguir.

Clique aqui para mais informações sobre o visto de estudante

Veja a lista de escolas

A eficiência britânica: festival e Jubileu

Vivemos enfrentando problemas e sufocos em qualquer festival que acontece em São Paulo. Filas imensas para comprar comida e bebida, filas para o banheiro, superlotação, atrasos, falta de transporte público para voltar para casa, falta de taxis ou taxis cobrando preços extorsivos, um desses perrengues – ou mais de um deles – acaba sempre aparecendo para estragar a noite.  Sem falar em casos isolados como quando a polícia resolve controlar o público com bombas de efeito moral e spray de pimenta.

No último sábado, fomos ao Field Day Festival, um festival de médio porte realizado no Victoria Park, um parque em um bairro na zona 3 de Londres – não exatamente no centro, mas também não muito afastado.

A atração principal, por coincidência, foi o Franz Ferdinand, cujo show em São Paulo uma semana antes foi “atrapalhado” pela ação da polícia citada ali acima. O festival também tinha Vaccines, Mazzy Star, Beirut e um monte de bandas novas divididas em um palco principal e diversas tendas.

O espaço não era suficiente, os palcos ficavam perto demais uns dos outros e o som vazava bastante. Durante o show do Beirut, no palco principal, dava para ouvir um pouco da barulheira do Sleigh Bells na tenda ao lado. Durante o Mazzy Star, ouvia-se barulho e música eletrônica vindo de todos os lados. Mas, no resto, o festival funcionou.

Havia dois bares enormes para dar conta das muitas e muitas cervejas e cidras que os ingleses bebiam. Para comer, as opções eram das mais variadas, distribuídas entre barracas independentes. Tinha comida mexicana com uma fila com umas 20 pessoas, mas uma porção de outras barracas não tinha fila alguma. E tinha comida portuguesa, vegetariana, hambúrgueres, salsichas e linguiças alemãs, batatas recheadas, churros e bolos para sobremesa.

Na saída, um grande esquema levava todo mundo até dentro do metrô. Quando acabaram os shows, por volta das 23h, apenas uma saída do parque estava aberta e, desde a catraca do evento até esta saída, muitos policiais e funcionários do festival se espalhavam por todos os lados indicando o caminho para a saída.

Ao chegar ao portão, grandes placas indicavam o sentido das duas estações de metrô mais próximas com mais um monte de policiais em volta dando informações e incentivando as pessoas a seguirem logo para o metrô para evitar aglomeração e garantir que a vizinhança conseguisse ter sossego antes da meia-noite.

Seguimos para a estação Mile End. Foi uma caminhada de cerca de 15 minutos em meio a uma multidão exausta e um pouco alcoolizada. Por todo o caminho havia muitos, muitos policiais e funcionários da organização. Em um cruzamento entre a rua que levava a multidão ao metrô e uma avenida movimentada, a polícia controlava o fluxo. Em quase todo o trecho, grades fechavam as calçadas para impedir que as pessoas atravessassem as ruas em qualquer lugar, atrapalhando o trânsito.

Na porta no metrô, a polícia também controlava a travessia da rua. Deixava um bando atravessar e fechava a passagem, abrindo somente quando a entrada da estação estivesse desafogada novamente. Lá dentro, mais policiais fazendo as pessoas se espalharem pela plataforma. Os trens vinham com intervalos de 2 ou 3 minutos. Com essa frequência, nenhum lotava a ponto de ficar insuportável. Voltamos para casa sem aperto.

O único “incidente” que vimos em todo o trajeto do parque ao metrô foi um inglês um pouco feliz demais que pegou um cone de trânsito e começou a cantar nele, como se fosse um megafone. Andou assim por poucos metros, até avistar um policial. Largou o cone na hora, soltou um “sorry, officer” com um sorriso, o policial colocou o negócio no lugar e pronto. Sem reação, sem truculência.

Três dias depois, testemunhamos outra demonstração da eficiência britânica, dessa vez envolvendo muito mais gente e aos olhos do resto do mundo. No último dia das comemorações pelo Jubileu de Diamante – os 60 anos da Beth no trono -, arrastei o Tiago para ver comigo a aparição da família real na sacada do Palácio de Buckingham. Comigo e com mais centenas de milhares de pessoas.

Fomos em cima da hora, os arredores já estavam tomados por famílias com muitas crianças, idosos e até cachorros. Mas, mesmo assim, as estações de metrô estavam todas abertas para que as pessoas conseguissem chegar até lá perto. Mais uma vez, a quantidade de policiais era notável. Parados nas esquinas, andando calmamente no meio da multidão, dando informações com a maior paciência do mundo.

Não conseguimos chegar à The Mall, a avenida que leva ao palácio. Atravessando o parque St James, achamos um telão. A família real já estava lá na sacada dando tchau, os aviões da RAF já estavam passando, ficamos por ali mesmo.

Perto do telão, onde um bom número de pessoas se reunia, havia uma ambulância e banheiros químicos. Foi tudo muito rápido, coisa de dez minutos. As pessoas, mesmo ali longe, levantaram bandeiras, aplaudiram e saudaram a rainha com três vivas, parecendo realmente felizes e orgulhosas. Cada aparição da velhinha no telão causava um frenesi coletivo. Assim que a família real voltou para o interior do palácio, começou a dispersão.

Andamos para longe, procurando uma estação de metrô afastada, e por todo o caminho, muito longe dali, ainda havia policiais. Novamente, na porta do metrô mais próximo, vários policiais organizavam uma fila e controlavam a entrada.

Os jornais ingleses não arriscam dizer o número de pessoas que foram até o palácio nesse dia (não consegui encontrar nenhuma estimativa), mas as fotos aéreas de Buckingham dão uma boa ideia de quanta gente estava por ali. No dia seguinte, o governo comemorou o sucesso do fim de semana garantindo estar pronto para as Olimpíadas. Se depender do que vimos, eles certamente estão.

Pub crawl em London Bridge

Ainda não comentamos aqui, mas o verão finalmente chegou a Londres sem que a primavera tenha dado as caras. Depois de um abril chuvoso do início ao fim e do maio mais frio dos últimos 300 anos, a temperatura subiu, de um dia para o outro, de 13 para 26 graus. Os ingleses deliram.

Para comemorar, fomos beber.

Na sexta-feira passada, após o almoço no Borough Market, Marcelo Costa nos levou a um pub colado em uma das pontas da feira, no fim do Jubilee Market. De fachada roxa, o pequeno The Rake é dedicado a cervejas especiais, raras, artesanais. Ótimo para quem quer conhecer sabores novos. Mac comenta a holandesa dele no Scream & Yell.

No sábado, outro dia de sol de rachar, resolvemos arriscar e ir, às cegas, a algum pub à margem do Tâmisa mesmo sabendo que, depois de tanto calor, todo mundo teria a mesma ideia.

Decidimos conhecer o Anchor Bankside, por coincidência localizado atrás do Borough Market. O pub histórico, fundado na primeira metade do século 17, tem uma larga fachada voltada para o Tâmisa e um grande terraço forrado de mesas onde é possível beber olhando o rio. Seria delicioso, se o serviço não fosse tão ruim.

Chegamos quando o sol começava a se pôr, lá pelas 20h, e para nossa surpresa conseguimos uma mesa sem esforço. A brisa começava a esfriar o dia, o céu estava azul, as pessoas pareciam felizes, então eu sentei e o Tiago entrou para pegar bebidas. E demorou mais de 20 minutos para voltar. Quando conseguiu voltar com sua cerveja e minha cidra, o sol já tinha ido embora, o vento estava frio demais, o humor já era outro. Ao redor, muitos comentários sobre a imensa fila para conseguir uma cerveja.

Tentamos comer, para então descobrir que nada oferecido no cardápio estava disponível. Tinha um fish & chips ali pronto, se quisesse, e mais um ou outro prato de pub, sugeridos com a maior má vontade do mundo. Terminamos nossas bebidas e saímos de lá sem olhar para trás.

Na corrida contra o tempo para ainda tentar jantar (as cozinhas de 99% dos pubs fecham às 22h, inclusive aos sábados), fomos ao Barrowboy and Banker a alguns quarteirões dali. Um pub fechado, sem vista para o Tâmisa, e com ambiente mais familiar, mas com decoração interessante, repleta de detalhes antigos que dão graça ao lugar. Além disso, o serviço é bom e atencioso.

Sentamos em um sofá bastante confortável ao lado de uma janela com vista para a catedral de Southwark banhada pela luz da lua e comemos uma porção bem servida de nachos com uma cerveja bem gelada. Salvou a noite.

The Rake – 14 Winchester Walk, Southwark
Anchor Bankside – 34 Park Street, Southwark
Barrowboy and Banker – 6-8 Borough High Street, Southwark

* Pub crawl é um passeio por vários pubs, um após o outro, bebendo uma ou mais bebidas em cada um deles.

Montando a casa em Londres

No post sobre como alugar apartamento em Londres, o Tiago contou que as aqui as casas quase sempre já estão mobiliadas, mas o pacote não inclui os pequenos itens que tornam uma casa habitável. Utensílios de cozinha (pratos, copos, panelas, talheres), roupa de cama, cobertores e toalhas, por exemplo, são pessoais. Mesmo nós, que viemos passar poucos meses, tivemos que gastar uma boa soma comprando tudo isso.

Fachada da loja Ikea em Londres

Metade da fachada da loja Ikea em Londres; a loja é grande demais para a foto

No nosso caso, para piorar, tínhamos pressa em sair do hotel e corremos para o apartamento assim que pegamos as chaves. Para conseguir passar a noite, foi preciso comprar um monte de coisas de uma só vez.

Onde comprar tudo isso depende, claro, do orçamento de cada um. Há produtos de qualidade na loja de departamentos Marks and Spencer ou ainda melhores e mais bonitos nas grandes lojas da Oxford Street como a John Lewis. Mas se a ideia não for gastar muito, a solução é sueca: Ikea.

Londres possui quatro lojas Ikea, todas em bairros afastados do centro. Não poderia ser diferente, já que as lojas são gigantes.

A rede tem quase 80 anos de história e é o modelo para Tok Stok e Etna. A diferença da original para as cópias é que na Ikea você vai encontrar absolutamente tudo que você pode sonhar em versões diversas: das mais simples e baratas (as mais baratas da cidade) às mais sofisticadas e elegantes. E mesmo essas não custam nenhum absurdo.

Ambiente decorado na loja Ikea, em Londres

Ambiente decorado na loja Ikea, em Londres

Entre os objetos essenciais mais simples, há pratos por 80 centavos de libras, conjunto de seis copos de vidro por 89 centavos e toalhas de banho boas e grandes por menos de 3 libras. Nada disso é de baixa qualidade ou descartável. Pelo contrário, parecem mais duráveis do que muita coisa comprada no Brasil por muito mais do que isso.

Para quem vai ficar mais tempo, os objetos de decoração são um caso à parte. Na loja de Wembley, onde fomos já algumas vezes, um andar inteiro é dedicado aos ambientes decorados para “inspiração”. Para mim, passar por ali é uma sessão de masoquismo: é um mundo lindo que eu não posso levar para o Brasil quando eu voltar.

Há ainda grandes linhas de móveis, também com preços variados. Eles são estocados em grandes galpões no final da loja, espaços imensos por onde é preciso passar antes de chegar aos caixas. A loja incentiva o “faça você mesmo”: você escolhe o móvel exibido nos ambientes decorados, anota seu código e o retira em um dos galpões. Depois disso, é pagar, levar para casa e montar sozinho.

Galpão de móveis na loja Ikea, em Londres

Galpão de móveis na loja Ikea, em Londres

Coisas ainda mais simples, como acessórios de limpeza ou itens de plástico para cozinha, são também facilmente encontradas em lojinhas de bairro. Elas estão em todos os cantos da cidade, sempre comandadas por imigrantes, abarrotadas de objetos já na calçada. Vassouras, baldes, esfregões, porta-talheres, caixas organizadoras, esses lugares têm de tudo por preços mínimos. Até eletrônicos, como adaptadores de tomadas brasileiras, podem ser encontrados ali. E com a gente o atendimento sempre foi simpático e atencioso.